domingo, 10 de julho de 2022

TUDO BEM?




Querido diário, sou mutável, tenho apego a poucas coisas. Cansei de usar a cota das ruivas. Sábado, disse que eu sou a Kuky, pura economia de explicações para me livrar das etiquetas. Houve um tempo em que pensei ser grande Cupida. Falácia. Uso a sorte do amor em benefício próprio. No jogo, eu roubo, honestamente. Tento ser coach do amor, acontece, que os meus mentorandos são desobedientes. Ser eu tem me dado mais trabalho do que o habitual, isso não tem qualquer relação com as minhas funções profissionais, a propósito, completei um ano no escritório. Fui na Arena, não a amo como o Olímpico. O Grêmio ainda me arranca as lágrimas que não chorei a vida toda. Há histórias que poucos conhecem, ninguém quer ouvir e, mesmo assim, eu conto, porque existem. Escrevo histórias em várias pessoas e tempos, respeito o que escuto, me reservando a pequena edição do autor. Diário, não acha a hostilidade algo muito estranho? Tanto quanto jeitos de tratamentos que, às vezes, fico em dúvida se quem recebe já se habituou ou deixa passar. A academia é uma boa fonte criativa, uso fones para não precisar conversar, o que não quer dizer que não presto atenção. Entre pesos e filosofia, cada dia mais forte. A creatina ajuda.

Olha só, já tive semanas menos acidentadas. Saí com pressa, acendeu a luz indicativa no painel do carro: reserva de combustível. Abasteci-nos, para ele, gasolina; para mim, energético. O lençol que voltou da lavanderia me deu alergia, a gata jogou a chave de casa para baixo do sofá. Pelo menos, encontrei a tarraxa perdida de um brinco. Acabou o gás no meio da produção de janta, às 21h. Que horas as entregas de gás param de atender? Sim, às 21h. Dei meus jeitinhos, Papai do Céu me fez ser humano cativante. Usei salto altíssimo quando precisei caminhar uma maratona. Meu crachá rasgou a meia-calça, do joelho até as ideias. Coloquei a mão no bolso, encontrei o que julgo ser os restos mortais de uma paçoca, já em forma de farelo. O chimarrão entupiu. Precisei colocar pingos nos “is”, esta parte é chata e necessária em iguais proporções. Dormi cansada em cima do livro, de óculos, tenho um discreto hematoma em lugar pouco convencional. As usual. Tudo bem. Tudo bem? É o que quase ninguém pergunta, porque todo mundo diz o que deve ser feito, ou te entrega um pacote de culpa. Carregamos nossos próprios atropelos, junto com espelhos que refletem mais sobre nós, do que sobre o que refletimos. Refletir é preciso. Minha mana perguntou se estava tudo bem sei que eu vivo perguntando. Farol em meio a tormenta. Meu escafandro. Nós temos isso em comum, interesse genuíno pelos nossos e pela humanidade. Gostamos de pessoas e gatos. Gosto de um (meu) urso. Estudamos pessoas a sério, cada uma de um jeito. A bandeira do sorriso flamulou, como de costume. Adaptável, flexível. Vim feliz e criativa de fábrica. Uma gracinha, deste sempre. Posso não saber dançar, mas tenho muito jogo de cintura e um tanto de sorte. Para os imprevistos, lições e soluções. Pouco reclama quem muito faz. 

Diário, tenho um tanto de estranhamento com reclamações contumazes, tanto com isso, quanto com a hostilidade. Tenho por hábito acordar o sol. Faço mundo, enquanto esquenta a água para passar o café. Antes do rímel. Dentro da semana que passou, senti que vivi outra vida, quase que não a minha, parei numa sinaleira enquanto tocava “I walk this empty street, on the Boulevard of Broken Dreams. Where the city sleeps and I'm the only one, and I walk alone”. Greenday me dava razão, “my shadow's the only one that walks beside me”. Entendi. Sempre sei. Tantos estranhamentos, banho com maior minutagem, faço careta sem querer, minhas ideias não sossegam, qualquer coisa passageira. Sou mimada, mal acostumada, me passaram açúcar, a cordialidade e o dengo são meus amigos, vou embora quando não ganho, que nem gato que troca de casa. Meu DNA é felino, lembra? O agora dos últimos dias, até então, estrangeiro adquiriu visto de permanência, não me restou alternativa. Cumpriu requisitos formais e não uso energia para combater o que vai além das minhas possibilidades. Que se adapte logo ou a imigração será acionada, neste meu mundo, cinza, só em bons looks (e produto final do churrasco). 

Não garanto a integridade da louça. 


Beijos com açúcar mascavo, Kuky.

4 comentários:

  1. AH, AS IRMÃS HEINE. UMA É UM ANJO, A OUTRA DÁ TRABALHO.

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  2. Mega foda, bocuda. Tu é o cara. G.M.

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  3. Louise, eu leio teu blog faz mto tempo. Me identifico com todos os textos. Este último é incrível de rico. Sim, hostilidade é uma merda.

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  4. Eu te amo por quem és e pelo que entregas ao escrever. Raio x da tua verdade.

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