Brevidades são bolinhos feitos com ovos, açúcar e polvilho doce. Já fiquei sabendo que existem versões com maisena, pequi e canela. Provei o tradicional, por insistência da moça da padaria, quando estive em Governador Valadares, ou melhor, Valadares. Lugar onde o "xis" se chama gauchão.
As brevidades originais são gostosinhas, farinhentas e grudam um pouco no céu da boca, a dica é consumir com café. Pode ser que tenham parentesco com o bolo inglês. A casquinha de cima é crocante, mas cede fácil à mordida, de modo que, se você usa chapa, ponte, aparelho ou dentadura, não terá dificuldades. Não sei se foram batizadas assim por serem rápidas de fazer ou por serem rápidas de comer. De qualquer forma, são breves nos dois quesitos.
Breve como este texto para falar de brevidades. Outras brevidades. Pequenas coisas nem sempre tão açucaradas como os bolinhos, sobre as quais, sejamos ligeiros, não percamos nosso precioso tempo. Então, rapidinho, vamos lá. Tenho cada vez mais convicção de que foco e planejamento podem nos levar mais longe naquilo que queremos. Escolher uma meta e traçar o caminho do maior para o menor. Cinco anos, um ano, um mês, um dia, este momento. A pergunta é: como você age agora para o objetivo que está a cinco anos daqui? É importante saber o que devemos fazer e consumir, bem como o que devemos descartar. Avaliar a utilidade neste momento sem tirar o olho do longo prazo, ponderar sobre o tempo investido.
Já li em algum lugar que o erro é inevitável, então que se erre rápido. Sendo breve, traz um bom aprendizado com pouco gasto de tempo. Erro no início, erro no percurso, ou erro no resultado, que a avaliação seja certeira, assim, haverá uma lição. Afinal, toda a falha tem algo a ensinar. Quem tem sucesso não é quem não erra, é quem não carrega a culpa. Nota - breve - não falei em se isentar da responsabilidade ou culpar as circunstâncias, o outro, os astros, o gato preto que cruzou a estrada.
A responsabilidade é sua, sim, por suas escolhas, logo, a culpa é sua. O que eu disse é que não precisa fazer dela um tijolo, uma rocha, algo tão pesado que impeça suas asas de te fazer voar. E, acredite, todos podemos voar tirando dos bolsos as pedras que juntamos nas tristezas do caminho. Conhecemos cada uma delas, chamamos pelo nome, reconhecemos e agradecemos. Ser grato pelas amarguras é nobre. Aprendemos e nos despedimos delas. Tchau. Sem apego, se desfaça dela. Você pode jogar na cabeça de alguém - mentalmente, óbvio - se isso fizer sentido.
Tudo ocupa espaço, tudo é energia. Como pretende ter lugar na vida para alegria se não varre a tristeza diariamente? Um coração só se expande para o amor se pratica o perdão. Mágoa, tristeza, raiva e decepção são pedrinhas feias e pesadas. Ocupam o lugar dos seus diamantes, se for voar, carregue estes que são leves, preciosos, transparentes. Isso, sem falar na maneira como refletem a luz. É a expansão mágica. As asas não sofrem por carregar diamantes.
Eu disse que seria breve. Comecei com bolinhos em Valadares, passei pelas pedras do caminho e encerrei na luz dos diamantes.
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RECEITA DE BREVIDADE
6 ovos
300 gramas de açúcar refinado
500 gramas de polvilho doce
1 pitada de sal
300 gramas de açúcar refinado
500 gramas de polvilho doce
1 pitada de sal
Bata as claras em neve, quando estiver em picos firmes, coloque as gemas, uma a uma para bater em velocidade alta. Adicione aos poucos o açúcar refinado, bata bem até ficarem fofo e aerado. Desligue a batedeira, acrescente o polvilho doce, mexa com delicadeza. Coloque a pitada de sal, deixe a massa homogênea e leve para assar em forno pré-aquecido (180°C) por aproximadamente 30 minutos.
Rendimento: 24 porções
(acharam que eu não ia dar a receita?)




