Querido diário, eu amo esta vida, amo viver. Pode ser que a minha alegria em celebrar aniversário venha daí. Ja escutei pessoas que não comemoram o próprio aniversário dizendo que é porque não gostam de envelhecer, que a morte fica mais próxima com mais aniversários. São inevitáveis, independem do parabéns. Nascemos, vira a ampulheta. A quantidade de areia, só sabemos na despedida. Já nascemos para morrer. Não ignoro a morte, penso, diariamente, nela como validação da intensidade dos meus dias. Eu vivo muito bem, obrigada. Estava pensando nisso enquanto olhava um sorriso, entre tantos na festa que fui sábado. Espontâneo, fugido, sincero, orgânico. Longe de ser um sorriso social. Uma alegria rasgando a face. Eu tenho a boca imensa, riso fácil, disfarçar é trabalhoso. Libero logo. A alegria de quem eu amo, me alegra. Gosto de alegria compartilhada entre amigos e amores, amigos de amores pelos quais me afeiçoo.
O brilho de uma personalidade não se mensura em quilates.
Diário, o que acontece quando a pressão da cabine fica estranha e máscaras de oxigênio não caem de lugar algum? Posso te contar a minha experiência? Bom, mantive a calma, respirei lentamente. Sou afoita, respiro errado, em engasgo com ar e tenho soluço. Cozinho quase sempre em fogo alto, há tempos não faço pudim porque fico entediada com o banho-maria. A minha alquimia é veloz. Compreendi que o jogo de cintura precisa de tempo para o rebolado entrar no ritmo. Não sei dançar, me limito ao movimento descoordenado disforme, minha versão do movimento retilíneo uniforme. Pelo menos, carrego certa graça. Tenho sangue felino, às vezes, preciso virar leoa. Malabarista-equilibrista-mágica. Respirei, já te disse. Às vezes, as pessoas se perdem facilmente. O labirinto nem sempre ensina a saída e aprender é comigo mesmo. Vou lendo pessoas, momentos, histórias e movimentos. Inabilidades, diria a minha amiga Zabeti em uma das nossas tantas conversas giratórias em pilares e mesas de bar. Paulinho, água com bolinhas, por favor. Sou portadora de educação e bom senso. Evito falar de cabeça cheia e usar roupas inadequadas. Descombino meus auto-tratos.
O meu dragão está alegre. Fiz brownie com a Nina. Eduardo está maior que eu. Joana ainda tem furinhos nas mãos como bebês. Pequeno Antônio ama a sua tia e Alice dormiu vestida de caipira. Maria Clara lotou o teatro. Termômetro de festa: o sucesso é diretamente proporcional à quantidade de histórias dos seus desdobramentos. Dada, não foge, ainda me deves detalhes do figth.
Beijos com brilhos da noite,
Kuky.

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