Meu filho pediu a coleguinha em casamento para o pai dela, não a pediu em namoro. Convencionou que são namorados. Ela não se opôs e eu quase morri. Contaram-me que ainda se pede em namoro. Eu não vi, mas me contaram que acontece. Há horas não tinha notícia de um pedido de namoro, formalmente perguntando: Você quer namorar comigo?
Outro dia um casal de amigos comentava que não tinha data para comemorar um ano de namoro, mas que devia ser por perto do carnaval. Passaram a se chamar namorados. A cláusula de exclusividade já tinha sido anteriormente convencionada. Lembro quando ele foi até a praia da Ferrugem. Destemido e decidido a voltar de lá com ela. Ofereci um tacape, um sonífero, um raio de amnésia. Ofereci cativeiro porque duvidei do sucesso, fiz planos de sequestro. Ofereci o ombro amigo caso voltasse despedaçado. Voltaram namorando sem pedido, sem aceite.
Desde sempre não se sabe quando o amor começa. Ou como. Existe um gatilho para amar? Uma bala certeira que nos faz morrer e estar mais vivo do que nunca? Existe um botão de luz que liga o amor? Acredito que não, quando se vê, já se ama porque o amor não tem começo. Quando se vê o amor já te acertou a queima roupa, já violou a pele, já iluminou o rosto, a sala. Já pulou a janela.
É simples que acontece e complicamos tentando desenhar uma linha de lógica entre os fatos. Quanto já amei em segredo. Quanto já amei sozinha. Quanto amor já inventei para rechear as horas, enganar o tédio e exercitar o coração. Nem sempre sou confiável para essas coisas, me engano por esporte.
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