quarta-feira, 31 de março de 2021

invente, tente

 Uma pessoa tem direito a ser preguiçosa. Tem direito ao ócio. Tem direito à inércia. A prática do nada não precisa ser um pecado. Pecado é escolher o momento errado da preguiça, é deixar de lado a dedicação onde se requer capricho. Alguns terrenos da vida são adubados com o empenho, apenas assim vingarão e darão bons frutos.

O amor é um caso onde toda a preguiça será castigada. A conquista exige ação, o que não é novidade e é muitíssimo mais singelo do que parece. Enganam-se os pensam que o amor exige gigantescos atos de bravura. O maior desafio é admitir, permitir o sentimento, ser sincero. Um dos momentos mais engraçados da minha vida foi confessar que sou romântica. Romântica não clássica, mas sou. Um pouco torta. Não convencional. Bom, sobre isso eu – juro – escrevo outra hora, não quero desviar o assunto. Amor é caso de arregaçar as mangas. É caso de demonstração ainda que sutil. Atenção diferente. Um olhar mais carinhoso onde a pupila entrega: oi, eu gosto de ti. Ou um sorriso desconcertado, desenhado sem querer. Gostar de alguém é sair do comum. É tratar diferente e diferente para melhor. Tratar não indiferente.

Gostar de alguém requer demonstração. Cultivam-se bons vínculos com esses caprichos. Fazer um agrado, deixar um recado, ser atento, observar. Admiro quem se dá conta disso. Despir-se da apatia emocional é uma habilidade adquirida com a prática. Envolver a pessoa naquilo que lhe agrada, não apenas para conquistar, mas porque a pessoa merece. Por quê? Porque é especial, ora bolas, ou por que despertaria algum interesse? Alguém que me faz corar e ficar sem jeito merece se sentir bem. Merece receber de mim atitudes de felicidade. Um abraço com um carinho a mais já me delata.

Eu sou facilmente denunciada. Capricho mais com quem eu gosto. Ainda que eu tente ser mais discreta, não consigo. Se eu tento dizer que não, proclamo o caos. Sofro de gagueira paixonítica. É uma síndrome rara de equação simples: apaixonei, neguei, gaguejei. Pronto! Resta rezar pra ser tragada pela terra, momentaneamente, claro.

Mas não é de hoje que amor e dedicação andam juntos. Quando as pessoas estão dispostas a um relacionamento, a fase da conquista nunca acabará. Serão criados códigos sucessivos entre o casal. Há sempre o que ser descoberto. Há sempre o que ser inventado. Não existe limite quando as pessoas estão dispostas a se divertirem juntos – e a vida a dois pode ser bem divertida. As regrinhas entre os dois surgem e desaparecem. O amor vai encontrando com o tempo a sua maneira de viver. O amor não morre com a rotina, morre de inércia.

Eros, na mitologia, se apaixonou por Psiquê. E ela se apaixonou por ele sem nunca ter visto o seu rosto. Todos os dias, apesar da rotina (porque só se encontravam à noite), o casal descobria maneiras de manter vivo o amor. A conquista era constante, dependente dos atos caprichados.

Estou cada vez mais convicta que os amores não morrem de morte natural. Amor morre mesmo de tanto faz. Causa mortis: indiferença, apatia e preguiça.

Amar é verbo em movimento: ação!



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Observar também é reconhecer. Saber o que vale a pena não desperdiçar.

Acho tão bonito quando as pessoas querem se conhecer...

Convite pra tomar uma água, um chá, um suco, comer um doce. É... é bem bonito! =-)

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