Quando chove, crianças acionam um dispositivo secreto ultrassônico de agito potencializado. Por consequência, os pais precisam encontrar mecanismos para que não seja preciso fazer uso de camisa de força (neles ou nelas, tanto faz).
Minha mãe sempre respondia às avalanches de perguntas com a seguinte frase: “pode tudo, desde que não ponha fogo na casa”.
De fato, nuca pus. NA CASA. Notem, a frase jamais foi uma advertência para não brincar com fogo. Era lição de organização e responsabilidade.
Aprendi que o fogo tem onde e o que queimar. Nossos antepassados dominaram o fogo, não o contrário. Nós também devemos dominar o que queimar. Qual é o combustível e para que vamos usar? Vai nos impulsionar ou consumir? Se for para algum fogo consumir, que seja o da paixão, do entusiasmo, que nos tire do lugar e promova explosões de alta octanagem. Processos de combustão podem ser transformadores. Devastar um campo de ervas daninhas para brotarem as sementes que selecionamos. "Arde sem se ver". **
Hoje, quando mexo nas brasas, sempre penso que o fogo não deve brincar comigo. É que a minha vó sempre dizia “Louise, tu é fogo na roupa”.
Isso já é outra história (em chamas nas minhas ideias).
** Camões
Me achei a cara da minha mãe nesta foto, ainda mais com este filtro old school. As mãos e a boca, são do meu pai, indiscutivelmente.
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