domingo, 31 de julho de 2022

pensar é humano


 

Querido Diário, gosto de sentir frio na barriga. Quando algo me abala, não é o acontecimento em si, é o que eu sinto a respeito, medo, esperança, qualquer coisa. Aprendi a pensar sobre isso. É como saber que existe uma goteira. Olha-se para cima para identificar de onde vem, porque de pingo em pingo, se faz uma poça, se enche o balde. Antes que a próxima tempestade inunde a casa, é imperativo cobrir os pequenos furos. Conheci pessoas que levam a vida no piloto automático. Cedinho decidi que não seria uma dessas pessoas, jamais. Invisto tempo em pensamento. Meu porto é sempre o agora, ponto de partida para onde vou, ajuste nas velas para o que eu quero e aquela implicância com as horas cronológicas. Gosto de tempo, funciono bem no meu, sem tic-tacs, sou pontualmente alternativa neste quesito, mas não costumo me atrasar aos compromissos. Hoje, eu desliguei o tempo. Às vezes, eu preciso, principalmente quando quero oxigenar as ideias, temperar o pensamento.

Quarta-feira, trabalhei na frente da janela, improvisei uma mesa para o computador e um espaço para o caderno de anotações. Permaneço solar, me fez bem. Tenho me sentido mais forte e corajosa, o morenito que me inspira tem cotas de participação nisso. Alma grande, pessoa irresistível. Os abraços com suspiros ainda me surpreendem com a delicadeza de uma pétala.

Sempre fui de arriscar, imprudente, impulsiva, quase suicida, se não fosse imortal até que me provem o contrário. Sabia que pensar é uma habilidade? Pode ser treinada. Não sou uma expert no assunto. Meu achismo diz que a inteligência de uma pessoa não cresce ou diminui de limiar, porém, a atividade de pensar é capaz de conduzir a mente com clareza até melhores resultados. Falei estes dias, em conversas de balcão de cozinha: a astúcia é tão importante quanto a inteligência. Se ambas puderem ser amigas, melhor. Diário, estou escrevendo sobre isso, porque passou como um pé de vento pela minha mente, uma coisa que me desagrada, a pergunta “por que eu não fiz isso antes?”. Justifico o porquê do desagrado. Defendo que tudo que já me aconteceu na vida, foi da melhor maneira que poderia ter ocorrido e no melhor momento. Afinal, eu tenho sorte! Claro, não é só isso, evito este tipo de pensamento por todos os “e se...” que nascem dele. Eu sou um ser pensante, evito gastar energia naquilo que não dará resultado. O que foi, foi. Feito e acabado, perfeito à sua maneira. Penso sim sobre o passado para resgatar ou descobrir lições, não para me punir, lamentar, julgar ou desejar eventos alternativos que vêm de brinde com os “e se...”. Nada acontece sendo apenas hipótese. A brisa suave da sabedoria da alma retira o pó das ilusões. Isso justifica o meu frio na barriga, minha empolgação, confiança e força. Tem dias que eu desligo o tempo, acendo a lanterna de Diógenes. Não é por nada que a imagem de uma lâmpada em cima da cabeça simboliza ideias.

Ultimamente, a Nasa tem confundido a minha cabeça com Las Vegas, cidade que se pode ver do espaço.

Beijos de luz (estou quase gratiluznamaste) Kuky

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