quarta-feira, 31 de março de 2021

errata

Oi. Vim desdizer. Só vim pra desdizer, essa é a grande verdade das próximas linhas. Isto não é uma crônica, é uma borracha. É um backspace, um ctrl + z, um delete, um eject. Entendam como bem quiserem, porque duvido mesmo que alguém se disponha a querer de fato entender. Supor é mais fácil. Prever é mais cômodo. E quer saber? Certo está quem faz isso.

Aquele medo que eu havia mandado sentar no canto está aqui na minha frente, rindo da minha cara, dizendo “eu te avisei”. Chutaria ele, mas não costumo fazer isso com quem tem razão. O medo é o grande vencedor, leva todos os prêmios. Leva todas as vidas. Abraça a todos. É o sentimento mais confortável, porque não se foge dele. O que não é bom, queremos longe e ninguém ou quase ninguém – faz isso com o medo. Pelo contrário, o medo é mantido pertinho. Sem enfrentamentos, sem discordar, nada se questiona. Medo é a perfeição da preguiça. Amar dá trabalho. Sentir medo, não. O amor é importante, porra. Vi isso pichado num muro. Parem. Não é.

Não mandem flores, não mostrem preocupação, não sintam saudade. Não retornem ligações, não mandem mensagens carinhosas, não sonhem com ninguém. Não cultive sorrisos, não abrace, não vele a beleza de um sono. Não explique suas teorias, não diga quem é, não seja intenso, não diga o que sente, o que prefere, do que gosta ou o que odeia. Tudo será suposto, não derrame você. Ninguém quer secar.

“APESAR DAS MUITAS CONVERSAS, POUCA COISA FORA DITA. O ESSENCIAL SEMPRE FICARÁ NO FUNDO, ESMAGADO PELA SUPERFICIALIDADE.” São palavras do Caio Fernando Abreu, estavam nas paredes do meu quarto pra que jamais esquecesse de tirar o essencial do fundo, jamais deixasse a superficialidade esmagar o meu essencial. Bobagem. O essencial que permaneça no fundo. A superficialidade é o que se quer. O essencial é um Hades. É um monstro de sete cabeças. Um cogumelo venenoso. Uma barata na cozinha.

Caio também disse que os dragões não conhecem o paraíso, é meu texto preferido. Eu, como bom dragão, jamais conhecerei. Sigo o destino de ter sempre razão em incinerar frases ditas por outros alguéns, de acordar diferente do normal, de fazer barulho demais, fazer muito alarde. Não vejo a banda passar porque eu sou a própria banda. Andar na ponta dos pés é um esporte que eu nunca soube praticar. Eu sou inquieta e faço bagunça. Sou desmedida. Não peço licença, não pedia desculpa.





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